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ACIDENTES COM MOTOS
Acadêmico: Antonio Penteado Mendonça
Números são assustadores e impactam a carteira de seguros porque há mais sinistros e mais sinistros mais graves

Acidentes com motos

Em 2025, na cidade de São Paulo, morreram 475 pessoas em decorrência de acidentes com motocicletas. No Estado de São Paulo foram 2.631 mortos em acidentes desta natureza. E, no mesmo período, em todo o Brasil, 6.688 pessoas morreram em acidente com motocicletas.

São números assustadores e que ficam mais sérios quando se verifica que as mortes em acidentes de trânsito na capital totalizaram 1.034 óbitos no período, ou seja, os acidentes com motos representaram 45 do total dos óbitos. E o número de mortes de pedestres não melhora a conta. São mais 401, ou 38 do total. A soma desses dois tipos de acidentes representa 83 das vítimas fatais em acidentes de trânsito na cidade de São Paulo, no ano de 2025.

Entre vítimas de acidente de motos e pedestres mortos, tivemos, no ano de 2025, 2,4 mortos por dia nas ruas da capital. O mais cruel é que há pouco que possa ser feito para reverter essa tragédia, no curto prazo. Campanhas de conscientização não dão resultados imediatos e a fiscalização, que poderia ser um inibidor mais eficiente, faz muito tempo que é impotente para dar conta do recado.

Fiscalização não para multar, mas para melhorar o quadro de acidentes com motociclistas. A diferença entre as duas é grande. Uma visa apenas penalizar o infrator; a outra visa, por meio da penalização, a redução do número de eventos envolvendo motocicletas.

De acordo com estimativas abalizadas, perto de 50 dos motociclistas que trafegam por São Paulo não são habilitados. Quer dizer, metade deles, em princípio, não teria condições de pilotar uma moto e, de qualquer forma, não poderia estar nas ruas. Mas não é essa a realidade. Mudá-la é tarefa complicada e complexa, até porque o governo federal abrandou as exigências para tirar a carteira nacional de habilitação, enfatizando como argumento, justamente, que boa parte dos motoristas não é habilitada. Tornar a concessão da habilitação mais fácil não vai mudar o quadro dos acidentes. Ao contrário, se 50 trafegam sem habilitação e dirigir nessa condição é um limitador do número de motociclistas nas ruas, a concessão da habilitação com menos rigor vai agravar o quadro, colocando mais gente sem capacitação no comando de uma moto.

Este quadro tem impacto no resultado da carteira de seguro de veículos. Só no primeiro semestre de 2026 aconteceram 10.543 acidentes envolvendo motocicletas, com 286 óbitos na capital. O número de mortes é maior do que o observado no mesmo período no ano anterior e, se a tendência se mantiver, teremos mais de 570 mortos em 2026.

Estes números impactam a carteira de seguros porque há mais sinistros e mais sinistros mais graves. É verdade que um bom número das motos envolvidas nos acidentes não é segurado, mas, mesmo assim, o aumento das mortes nesses acidentes indica o aumento da gravidade dos eventos e, consequentemente, a piora do resultado das seguradoras.

Para mudar o quadro, dentro do possível, é indispensável, em primeiro lugar, o aumento dos comandos para fiscalizar as motos e os motociclistas. É também indispensável o aumento das multas e a efetivação de sua cobrança. E, finalmente, é fundamental que as campanhas de conscientização e educação no trânsito sejam permanentes e tenham visibilidade.

Publicado no jornal O Estado de S. Paulo/Opinião, em 02 11 2026




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