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![]() Acadêmico: Antonio Penteado Mendonça Riscos do outro lado do planeta afetam o preço das apólices em todas as partes, e ainda virá o impacto da crise econômica que aumentará o preço dos produtos em todo o mundo
Guerra e seguro no Brasil O mundo atravessa uma fase complicada. As relações internacionais perderam as ferramentas de apaziguamento criadas depois da Segunda Guerra Mundial e a “paz suave” que prevaleceu nos últimos 80 anos foi substituída pelo uso da força bruta, sem maiores discussões. O espantoso é que a ruptura com a antiga ordem foi um ato de vontade do presidente dos Estados Unidos, tradicionalmente, o grande avalista da ordem baseada nas negociações em lugar da ordem baseada na força. Hoje o planeta é palco de guerras na Europa, no Oriente Médio, na África e na Ásia. Nunca, desde 1945, o mundo assistiu a tantos conflitos ao mesmo tempo. Alguns mais caros para a economia global, outros, praticamente indiferentes, eles mudaram as relações entre as nações, enfraqueceram laços e alianças, criaram polos de tensão, ameaçando a ordem internacional e gerando uma grave crise econômica e financeira, em função do aumento do preço do petróleo. O grande nó é o Oriente Médio. A guerra promovida pelos Estados Unidos e Israel contra o Irã atingiu, como era evidente que aconteceria, o tráfego de petróleo pelo Estreito de Ormuz. Do dia para a noite, o preço do barril saltou de US$ 60 para mais de US$ 100. E o que é mais grave: gerou a escassez do produto, com a aviação internacional cancelando milhares de voos por conta da nova realidade do querosene aeronáutico e vários países adotando medidas emergenciais para minimizar os danos materiais e econômicos. Os organismos internacionais já precificaram a queda do crescimento da economia e o aumento da inflação ao redor do mundo. Inclusive os Estados Unidos, responsável direto pelo que está acontecendo, apesar de ser o maior produtor de petróleo, já sente o peso do novo cenário com o aumento do preço de um grande rol de produtos. O impacto na economia global gera reações em toda a cadeia de produção, como um enorme dominó onde as peças são as nações. A Europa já sente os efeitos da guerra. A China precisa uma alternativa para o petróleo importado do Golfo Pérsico. O Brasil terá problemas com os insumos essenciais para o agronegócio. Enfim, poucas nações não serão atingidas pelas consequências da guerra. A crise econômica já aconteceu. Mesmo que se alcance a paz imediatamente, a volta ao cenário de normalidade não acontece do dia para a noite. Hoje, o mundo está mais caro e deve permanecer assim por um bom tempo. Um mundo mais caro quer dizer que o seguro vai custar mais caro. A operação de seguro é das mais globalizadas. Riscos do outro lado do planeta afetam o preço das apólices em todas as partes. E é isso que vai acontecer, em primeiro lugar por conta do aumento do preço dos seguros no Oriente Médio e, em segundo lugar, pela crise econômica que vai aumentar a inflação e o preço dos produtos em todo o mundo. Numa linguagem simples, como o seguro funciona através de vasos comunicantes que interligam as companhias, o brasileiro vai pagar mais caro pelo seguro do seu automóvel ou da sua empresa em função de eventos completamente fora de seu controle, mas que vão impactar a nossa economia. Publicado no jornal O Estado de S. Paulo, em 27 04 2026 voltar
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