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COMBATAMOS A FOME
Acadêmico: José Renato Nalini
O certo é que todo cidadão consciente precisa votar com muito juízo. O governo é chamado a ser cada dia mais responsável, pois aquilo que chamávamos mudança climática passou a ser emergência climática e hoje pode ser chamado de ‘cataclismo climático’. Não é pouca coisa refletir sobre o que isso significa

Combatamos a fome

Não é admissível que um país que é o celeiro do mundo, ainda enfrente o fenômeno da fome. É um paradoxo cruel o que se assiste de maneira aparentemente insensível ou inerte: enquanto boa parte da população padece de obesidade, outra parcela não tem o que comer.

Por isso, no ano em que precisam ser renovados os Parlamentos, a sociedade tem de colaborar para eleger representantes sensíveis a essa questão. Como sugestão e inspiração para os que quiserem aderir a essa campanha: - votar em ecologistas convertidos -, é interessante observar o que propõe a Coalizão Brasil Clima, Florestas e Agricultura. Ela tem um eixo destinado a incrementar a produção de alimentos e o combate à fome.

Para os primeiros cem dias do novo governo, a proposta é lançar um pacto nacional para alimentação saudável e biodiversa. Esse plano de ação precisa contemplar pacote de investimentos fiscais e incentivo para as cadeias da sociobiodiversidade. Outro passo é reestruturar modelo de assistência técnica e extensão rural – ATER. Isso significa atualizar a política pública para assegurar a manutenção do programa de formação de técnicos com base no desenvolvimento sustentável. Em seguida, aprimorar os critérios socioambientais para concessão de crédito rural, mediante implementação de Bureau de Crédito Rural Sustentável, que trará incentivos a produtos que adotam tecnologias sustentáveis.

É conveniente incentivar novos instrumentos econômicos privados para o setor rural, como outros financiamentos para crédito rural privado, inspirados no modelo do Plano Safra, a serem atrelados a critérios ambientais, sociais e de governança.

Durante o mandato, é imprescindível promover a agricultura familiar sustentável. Pequenos produtores, inclusive populações tradicionais e povos indígenas, poderão aprimorar sua produção de forma sustentável, com acesso a crédito ATER, com estruturação das cadeias produtivas, condições para inserção no mercado e fortalecimento do cooperativismo.

É necessário também aprimorar o Plano Safra, para aumentar investimentos em agricultura de baixa emissão de carbono e resiliência climática. A alocação de fundos deve priorizar formas sustentáveis de produção, focando no aumento da produtividade e na redução de emissões.

Mister ainda, fortalecer os instrumentos de gestão de riscos climáticos para a segurança alimentar. As políticas estruturantes devem ter mais previsibilidade e recursos para o Programa de Subvenção do Prêmio do Seguro Rural. Tudo o que o Brasil fizer em benefício da produção de alimentos, repercutirá diretamente em sua economia, pois muitos países dependem de nossa produtividade agrícola.

O derradeiro eixo da Coalizão é a geração de emprego e renda. Para os primeiros cem dias do novo governo, sugere-se retomar e fortalecer o Programa Bolsa Verde. Para isso, reformular a iniciativa para inclusão de inovações no modelo de transferência de renda e fornecer apoio a associações de beneficiários das áreas contempladas.

Durante todo o mandato, o novo governo deverá promover a criação de uma Política Nacional de Bioeconomia. Com isso, instituição de política pública para viabilizar o uso sustentável da biodiversidade e criar empregos e mercados para cadeias de maior valor agregado. Tanto o Parlamento como o Executivo devem estar atrelados a essas políticas de Estado.

É necessário instituir uma política pública para viabilizar o uso sustentável da biodiversidade e criar empregos e mercados para cadeias de maior valor agregado. Simultaneamente, incentivar a silvicultura de espécies nativas. Com isso, transformar o setor em nova economia florestal para impulsionar a produtividade do país e cuidar dos serviços ecossistêmicos para o mercado interno e externo.

Outra providência para durante todo o mandato é fortalecer o setor de restauração de paisagens e florestas. Para isso, investir e implementar políticas públicas de aproveitamento do potencial gerador de emprego e renda da restauração da vegetação nativa degradada.

Urgente continuar no investimento em fontes de energia renováveis. A transição energética, uma política à qual o Brasil se comprometeu no Acordo de Paris, quando aceitou reduzir a emissão dos gases venenosos causadores do efeito estufa, deve ter foco em modelos que promovam renda aos pequenos e médios agricultores e incentivem a indústria da reciclagem.

Por fim, o Brasil precisa resgatar o tempo perdido antes de legislar sobre os créditos de carbono, ainda passível de regulamentação. Pois implementar o mercado regulado deverá atender às particularidades brasileiras e permitir que o mercado voluntário se desenvolva com integridade ambiental.

É óbvio que outros temas são tão importantes quanto a escassez hídrica, a excessiva produção de resíduos sólidos, a poluição crescente, um recuo nas políticas ESG, por força do golpe desferido contra a consciência ambiental, imposto pela até então maior democracia do ocidente.

O certo é que todo cidadão consciente precisa votar com muito juízo. O governo é chamado a ser cada dia mais responsável, pois aquilo que chamávamos mudança climática passou a ser emergência climática e hoje pode ser chamado de “cataclismo climático”. Não é pouca coisa refletir sobre o que isso significa.

Publicado no Estadão/Blog do Fausto Macedo, em 04 03 2026



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