Minha insólita metrópole, capital de
todos os absurdos!
Música eletrônica em
fundo de
serenata,
paisagem cubista com
incrustações primitivas,
poema concreto envolto em
trovas caboclas.
Cidade feita de
cidades,
bairros proclamando independência,
ruas falando dialetos,
homens com
urgência de
viver.
Oceano feito de
ilhas.
Ilhas chegando,
ilhas sangrando,
ilhas florindo.
Os céus cansados do
concreto que arranha.
Cresce o mar
das periferias.
No
barco dos
barracos navega um
sonho. No
fundo de
cada um dos
cidadãos do
mundo,
dorme a
província.
Ali a
velha igreja com
seu campanário esperando a
mantilha da noite.
Anúncios luminosos piscam obsessões. O
asfalto é irmandade de credos.
No
centro,
todos os vícios e
todas as
virtudes convivem nas esquinas da São
João.
Os domingos são quadrados.
Cabem dentro da tela de cinema, do
aparelho de
televisão,
da página do
jornal, do
campo de
futebol.
O
metrô é mergulho no
inconsciente urbano.
Nele o
mesmo silêncio dos
elevadores.
Convívio de
sonâmbulos, de
antípodas da fila de
ônibus e do
trem de
subúrbio onde há tempo
para o
cansaço florir num sorriso.
Aqui o
verde é esperança cobrindo o
frio de
existir.
Teatros e o ballet
da multidão,
museus contemplando o
quadro dos
que se
agitam,
orquestras e a
sinfonia de
uma época em
marcha.
Nestes tempos
modernos,
Carlito operário ou estudante,
comerciário ou burocrata,
é técnico em
sobreviver.
Planalto dos
desencontros,
porto dos
aflitos,
rosa de
eventos onde até o
futuro tem pressa de
chegar.
Mal-amada cidade de São Paulo, EU
TE AMO!