Entrei para o São Paulo Athletic Club a
convitte de ma
irmã de Herbert Levy.
Meu pai achava que frequentando a
piscina, as
quadras de
tênis, e
namorando meninas loiras,
acabaria aprendendo o
inglês.
Naquela época,
éramos poucos os brasileiros sócios.
Pela manhã, em 1940,
treinávamos natação,
Ruy de
Freitas Camargo,
seus primos Aguinaldo e
Luís Felipe
Junqueira e
Carlinhos de
Almeida,
cujo pai era
proprietário da firma
que importava os uísques Berry Best e
Cutty Sark.
Pouco a
pouco íamos vencendo a
resistência anglo-saxônica e
sendo admitidos nas festas que aconteciam na Cultura Inglesa, no Great School e
na sede de
nosso clube.
Foi lá que nasceu o
futebol,
quando Charles Miller
volta da Inglaterra com a
primeira bola de
capotão,
os uniformes e as
regras da nova
modalidade esportiva que floresceria bem próxima da Rua Visconde de
Ouro Preto, nos
fundos da chácara de D.
Veridiana,
onde se
localizava o
Velódromo.
Não cheguei a conhecer Charles Miller, mas fui amigo de seus filhos Carlito e Helena, e frequentei a casa de sua ex-esposa a pianista Antonieta Rudge, já casada com o poeta Menotti del Picchia.
O clube, no tempo da sede velha, possuía outro encanto.
Quando a segunda guerra estourou, os moços do SPCA principiaram a partir para a Inglaterra ingressando no exército e na força aérea. Vários deles não voltaram jamais e seus nomes estão gravados, ao lado de outros heróis de 14, na placa que encima a lareira existente no topo da escadaria de entrada da sede social.
No tempo da guerra, corria a boca pequena entre os empregados que permaneciam no clube depois de seu falecimento, que, a altas horas, um oficial com a farda da RAF era visto caminhando pelas alamedas. A visão desaparecia, e depois era vista novamente parada junto às quadras de tênis ou contemplando as águas adormecidas da piscina. Provavelmente alguém que retornava do derradeiro vôo à procura dos dias de uma juventude encantada sob o arvoredo.
Sempre que me encontro com Aristides Laszlo, que fez a guerra no exército húngaro, lutou na Iugoslávia ao lado do Marechal Tito, e foi fotógrafo na corte do rei da Suécia; com Hélio Neves, me contemporâneo de Rio Branco, ou com o médico e escritor Paulo Eiró Gonçalves, sobrinho bisneto do poeta Paulo Eiró, lembramos o clube de outrora.
Afinal, não sei o que está mais longe, se Tipperary, ou nossa mocidade!