Eu te amo São Paulo, em
teu mistério de
chão antigo, em
teu delírio de
cidades novas; e
porque teus cafezais correm por meu sangue e
tuas indústrias aquecem o
ritmo de
meus músculos;
pela saga de
meus mortos que vêm voltando lá do
sertão,
pela presença dos
que partiram,
pela esperança dos
que vêm vindo –
eu te amo São Paulo!
Em
teu passado em
mim presente, em
teus heróis sangrando rumos, em
teus mártires santificados pela liberdade, em
teus poetas e em
teu povo de
tantas raças,
tão brasileiro e universal –
eu te amo São Paulo!
Pela rosa dos
ventos do
sertão,
pelas fazendas avoengas,
pelas cidades ancestrais,
pelas ruas da infância,
pelos caminhos do amor –
eu te amo São Paulo!
Na hora das traições,
quando tantos se
erguem contra
ti, no
instante das emboscadas,
quando novos punhais se
voltam contra
teu destino –
eu te amo São Paulo!
Pelo crime de
seres bom,
pelo pecado de
tua grandeza,
pela loucura de
teu progresso,
pela chama de
tua história –
eu te amo São Paulo!
Desfazendo-me em terra
roxa,
transformando-me em terra
rubra,
despencando nas corredeiras do
meu Tietê,
rolando manso nas águas santas do
Paraíba,
vivendo em
pedra o
meu destino nos
contrafortes da Mantiqueira,
salgando pranto,
dor e
alegria na areia branca de
nossas praias,
na marcha firme dos
cafezais,
nas lanças verdes do
canavial, no tom
neblina deste algodão,
na prece de
nossos templos, no
calor da mocidade,
na voz de
nossas indústrias,
na paz dos
que adormeceram –
eu te amo São Paulo!
Por isso, enquanto viver,
por onde andar, levarei
teu nome pulsando forte no coração, e
quando esse coração parar bruscamente de bater,
que eu retorne à terra donde vim, à terra
que me formou, à terra onde
meus mortos me esperam há séculos;
por epitáfio, escrevam apenas sobre
meu silêncio, minha primeira e eterna confissão: – EU TE AMO SÃO PAULO!