Comemoro com o
número 35
desta Cadeira,
os 46
anos de
convivência com o
seu destino.
Seu patrono Antônio de
Godói nasceu em
Pindamonhangaba,
cidade fundada por meu 10º
avô materno, o
Capitão Antônio Bicudo Leme,
cognominado o “Via Sacra”.
Foi Redator-Secretário do
“Correio Paulistano”,
jornal onde iniciei, em 1945,
vida literária. Em
sua carreira de
delegado foi encarregado por Dr.
Martiniano de
Carvalho,
pai de
meu amigo
Cássio da Costa
Carvalho,
que era
Chefe de
Polícia no
governo Campos
Salles, de
iniciar a
caça ao Dioguinho,
bandoleiro que assolava a
Mogiana com
seus crimes;
esse mesmo Dioguinho que vinha tentando matar meu avô Francisco
Bomfim, a
mando de
fazendeiros inimigos.
Em
sua fuga,
perseguido por soldados chefiados pelo Tenente-Coronel França Pinto,
Dioguinho e
seu irmão Joãozinho refugiam-se na margem do
Mogi-Guaçu,
junto à Fazenda Santa
Eudóxia,
onde nasceu Alfredo Ellis
Júnior, um dos
responsáveis por minha eleição para esta Casa.
Antônio de
Godói, sob o
pseudônimo de
Silvestre da Mata,
escreveria um
livro sobre o
Dioguinho.
Na Rua Antônio de
Godói dirigi durante três anos o
Conselho Estadual de
Cultura.
Estudando no
Colégio Osvaldo Cruz
fui colega da futura escritora Julieta de
Godói Ladeira,
bisneta de
Antônio de
Godói.
Estranhos fios vão tecendo a
história da cadeira que ocupo.
O
primeiro ocupante da Cadeira 35 e um dos
fundadores da Academia
Paulista de
Letras,
foi José Vicente de
Azevedo Sobrinho,
ao qual também me
ligo por ser hoje o
decano deste sodalício.
Monsenhor Manfredo Leite,
seu companheiro na fundação de
nossa Academia,
casou meus pais e me
batizou na Igreja da Consolação, em
frente da Rua Rego Freitas onde passaria a
infância em casa dos
avós Sebastião e
Zilota.
Rego Freitas,
antepassado da Embaixadora Marina do
Rego Freitas de Toledo, do
Desembargador Rui de
Freitas Camargo, e de Maria
Rego Freitas Brasileiro,
esposa de Francisco
Brasileiro,
todos irmanados à minha mocidade.
Rego de
Freitas,
pai de
Bento Freitas,
da família do General
Arouche,
ruas que predestinadamente me
conduziam ao largo
da chácara de
seus antepassados.
A
família do
autor de
“Vigília de
Armas”,
“Contos” e “Fantasias” e
“Efemérides da Academia
Brasileira de
Letras”,
sempre foi ligada à minha família.
Tive o
prazer de
votar um
dia em Vicente de Paula Vicente de
Azevedo para este silogeu. Vicente
“bis”,
como era
conhecido por sua geração,
foi o
grande amigo de
Guilherme de
Almeida,
meu padrinho literário,
prefaciador do “Antonio
Triste”,
meu livro de
estréia publicado em 1947.
A
Cadeira 35
foi ocupada a
seguir por Veiga Miranda a
quem estou ligado também por outro fio invisível.
Veiga Miranda, um civil a
exercer o cargo de
Ministro da Marinha,
escreveu alguns de
seus livros numa chácara que possuía em Vila
Bomfim,
cidade fundada por meu avô paterno Francisco
Bomfim, a
mesma pessoa que fora jurada de
morte pelo Dioguinho,
que foi perseguido e
morto por ordem de
meu patrono Antônio de
Godói. Em São Paulo, o
autor da biografia de
Álvares de
Azevedo morou na Rua Maranhão,
próximo a casa de
meu bisavô Carlos Batista de
Magalhães.
De
Plínio Ayrosa,
meu antecessor
nesta Cadeira,
herdei muito de
seu amor a São Paulo.
Caminhei por seus livros como que compelido por uma atávica paixão guaianá.
Sua vida,
sua simplicidade e
sua cultura são exercício permanente da arte de
amar São Paulo.
Rezando paulistanismo pela cartilha tupi, em
cada canto
da toponímia de
nossa terra e dos
velhos costumes de
nossa gente,
reencontro sempre a
figura marcante de
Plínio Ayrosa.
Neste Arouche onde 40
cadeiras formam o
círculo mágico de um Largo,
contemplo minha jovem Academia
coroar-se de
dez décadas de
luz.