(A
propósito da reedição pela Academia
Paulista de
Letras das revistas “Diálogo”)
Paulo
Bomfim
No
arquipélago dos
monólogos de
nossa geração, o
surgimento da revista “Diálogo” criou arquitetura de pontes
unindo solidões.
Jovens ilhas principiaram a
formar continentes em
torno da convivência vulcânica de
mestres que abalaram conceitos e
sugeriram a
revelação de novas
paisagens intelectuais.
As
casas de Vicente e Dora Ferreira
da Silva e
Heraldo e
Belkiss Barbuy eram o
olhar dos
furacões que se
aproximavam destruindo falsos valores e
criando novas
realidades.
Ah,
susto e
deslumbramento dessa abertura de
portos que eram portas escancaradas para o
infinito!
O
“Diálogo” exerceu em
mim e em
meus companheiros de
inquietação,
influência maiêutica de novo
nascimento.
Nele publiquei, em
seu segundo número, o
poema “A Casa”
comentado por Heraldo Barbuy que,
vertido para o
alemão,
valeu-me retrato e
carta de Hermann
Hesse.
Rompia-se o
dique das limitações ideológicas e as
águas lustrais de nova era
intelectual principiavam a
correr livremente.
Mergulhava-se em
clima de
desafios e
revelações.
Os ensinamentos de
Barbuy e Vicente e de
seus irmãos em
caminhos da Compostela interior,
das Índias secretas adormecidas no
coração do
homem,
vivem e
renascem das páginas instigantes deste relançamento.
A
lição dos
Mestres permanece viva sob o
sortilégio dos
escritos intocados pelo hálito do tempo.
A
reedição que se nos
apresenta é mais do
que necessária. A anemia
espiritual de
nossos dias clama pela transfusão de
paixão e
religiosidade existentes no
arcano dessas revistas.
A atual crise de erudição reflete ausência de sabedoria.
Fascinados, verificamos
que a linguagem dos “Diálogos” não envelheceu.
Percorrendo suas sendas percebemos, de surpresa em surpresa, que nossos cabelos brancos voltam a refletir o sol da mocidade.