Ninguém de bom senso há de recusar uma espécie de consenso trágico: a questão ambiental encontra-se num estágio aterrador. A natureza se vinga e parece dizer: “Não estou nem aí com você, espécie humana burra e irresponsável! Você vai ver o que reservo para a humanidade!”.
Ninguém parece levar a sério a advertência. Inundações, secas, tempestades, ciclones, tsunamis, furacões. O que mais precisa acontecer? Quem é que pode garantir que as turbulências que derrubam aviões e mostram a insegurança de vôo não resultam do aquecimento global? A ciência pode comprovar a total desvinculação entre os recentes episódios da aviação e o agravamento da crise ambiental?
Haverá outros “ambientalistas céticos” dotados de coragem para afirmar que uma coisa não tem nada a ver com outra? Nesse mar de inconseqüência, é urgente que os seres sensíveis sejam despertados. Ninguém é tão impotente que nada possa fazer em favor da salvação da espécie. A salvação não é da natureza, prestem atenção! O planeta poderá continuar a existir um pouco mais. Só que ele não comportará a vida humana dentro dele!
Diante da irresponsabilidade de grande parte do Poder Público, a última alternativa é convencer cada ser humano de que não é só o porvir que está em jogo. É o presente, cada vez mais perigoso e cada vez mais incerto. As crianças talvez sejam o último recurso. Elas se convencem de que o mundo poderia ser melhor, não fosse habitado por uma raça tão inconseqüente como o ser humano. A única espécie capaz de praticar um suicídio coletivo, mercê de práticas abomináveis, mas toleradas em nome do “progresso” e do “desenvolvimento”.
A educação ambiental é política pública inserta na Constituição Federal, mas ainda não mereceu um enfoque adequado. Não se cuida de incluir uma disciplina a mais no currículo ou de festejar o dia do meio ambiente, ou de plantar uma árvore no dia da árvore.
A educação ambiental precisa ser um projeto consistente, que ultrapasse a escola mas se estenda qual compromisso para todas as idades e em todos os espaços. Sem isso, o fim dos tempos estará mais próximo do que se pensa. Não haverá intervalo sequer para choro e ranger de dentes.
José Renato Nalini é Desembargador da Câmara Especial do Meio Ambiente do Tribunal de Justiça de São Paulo e autor de “Ética Ambiental”, editora Millennium. E-mail:
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