Estive no Tribunal de Justiça do Rio para cumprir uma agenda pesada. Pela manhã, mesa redonda de discussão do novo conteúdo programático dos cursos de formação e aperfeiçoamento do magistrado fixados pela ENFAM. A Escola Nacional de Formação e Aperfeiçoamento de Magistrados mantida pelo STJ. À tarde, palestra sob o título “Um Perfil do Juiz dos Juizados Especiais – A Ética da Conciliação”, a convite de meu amigo, o desembargador TIAGO RIBAS, ex-Presidente daquela Corte.
Almocei num restaurante simpático, próximo ao Tribunal, chamado “Cais do Oriente”. Mas à noite, já liberado da parte oficial, escolhi um “self service” próximo ao meu hotel. Despertou-me a atenção uma senhora muito elegante. Bem vestida e com um bonito chapéu. Jantava sozinha, mas cantarolava as músicas bossa nova executadas ao piano ambiente. Logo vi que ela gostaria de conversar. E foi ela mesma quem puxou conversa.
“Você gosta de bossa nova? Estas são as da melhor fase de Jobim, Carlinhos Lyra e Johny Alf!”.
Começou a contar a sua programação semanal, toda vinculada ao crescimento cultural. Não perdia uma peça de teatro. Quando gostava, assistia duas ou três vezes. Elogiou o desempenho de artistas brasileiros que são respeitados no exterior por sua performance. Assim Fernando Eiras e Cacá Carvalho, o paraense que no Brasil é lembrado por seu personagem “Jamanta” na TV, mas que é reconhecido como o melhor intérprete de Pirandelo na pátria do autor de “Il fu Mattia Pascal”.
Tão bom o seu trabalho que a própria família de Pirandelo o convidou a hospedar-se em casa do dramaturgo e a ocupar seu próprio quarto. A simpática senhora ocupa as suas noites com os encontros teatrais e musicais e mantém-se antenada com o que o Rio oferece nessa área e que não é pouco. Além da cidade mais linda do mundo, a conciliar praia e floresta, a vida cultural é uma atração permanente.
Feliz de quem pode acompanhá-la. O exemplo de vida que me ofereceu D. Edi Eiras Pinheiro – esse o seu nome – faz-me lembrar que a vida não pode ser só trabalho. Manter-se atento ao belo é agradável e talvez ajude a manter afastado o alemão que teima em ceifar a consciência de pessoas as mais eruditas.