A ACADEMIA PAULISTA DE LETRAS perdeu mais um de seus integrantes, o ex-Presidente ISRAEL DIAS NOVAES.
Foi jornalista e deputado estadual e federal. Em 1975, o mais votado para a Câmara Federal em São Paulo. Em 1978, considerado o melhor deputado federal em todo o Brasil. Antes disso, foi Secretário do Governo Jânio Quadros e nunca deixou de escrever para jornais em todo o Brasil. Colecionava presidências. Além da APL, presidia a Ordem dos Velhos Jornalistas, o Pen-Clube, o Clube dos 21 Irmãos Amigos e outras entidades.
Quando parlamentar, atendia de bom grado os convites para debates com alunos em várias faculdades. A meu convite, esteve mais de uma vez na Faculdade de Direito Padre Anchieta, quando eu aprendia com o alunado alguma coisa de Teoria Geral do Estado.
Conviveu com personalidades de realce na vida nacional. Era amigo de Mário de Andrade e contava episódios muito interessantes do convívio com o sofrido e incompreendido intelectual da paulicéia.
No trato era simpático e não resistia a contar uma piada. Assim se manteve até os últimos dias. Sempre formava uma roda em torno de si e a animava com relatos espirituosos. Era impossível ouvi-lo sem, após poucos instantes, gargalhar gostosamente. Homem rico, formou uma biblioteca notável que – permita a Providência – venha a ser preservada e não tome o rumo de tantas outras nestes tempos de desapreço ao livro.
Outro grande amigo seu era o governador Roberto Costa de Abreu Sodré, de quem – aliás – era vizinho e parente por afinidade. Uma de suas tristezas terá sido a demolição da belíssima casa de estilo inglês em que moraram durante décadas Maria do Carmo e Roberto Sodré. Vendida, foi demolida para a construção de uma edificação em estilo modernoso, tão ao gosto contemporâneo. Uma casa que recebeu visitantes ilustres, como a Rainha Elisabeth em sua visita a São Paulo.
Enfim, com ISRAEL DIAS NOVAES parte outra página significativa da História de São Paulo. E o Presidente da ACADEMIA PAULISTA DE LETRAS, que já proibira seus confrades de morrerem neste ano do Centenário, vê-se desobedecido mais uma vez.