Diante do descalabro do trato ecológico dispensado pelo governo federal à questão mais séria deste milênio, as poucas boas notícias parecem insignificantes. Procura-se criar um clima de ufanismo quando se anuncia redução no desmatamento. Ao mesmo tempo, legitima-se a grilagem como forma acelerada de continuar a desmatar. Enquanto as queimadas, motosserras e tratores cumprem sua faina assassina e destroem árvores centenárias, “pensa-se” no royalty verde.
O que significa isso? – É o projeto de se adotar uma taxa por emissão de carbono a ser cobrada sobre a produção do pré-sal. O objetivo é obter recursos para aplicar no combate ao aquecimento global. A taxa foi batizada de “royalty verde”, antes mesmo de nascer.
Mais uma pretensiosa iniciativa baseada em normatividade. De que adiantam boas leis, se elas não são cumpridas? O necessário é a vontade política e a força necessária e suficiente a fazer cumprir o prolixo e prolífico ordenamento já existente.
Da mesma forma, alguns se apropriam do “discurso verde” para continuar a sanha consumista. Ecologia é um bom marketing, pois não se pode perfilhar contra ela, ao menos seriamente. Chega o número de piadas a ridicularizar quem se preocupa com o futuro da Terra.
Por isso é que, em lugar de animar, notícias de realização da Feira Internacional de Soluções para Saneamento e Meio Ambiente – Ambiental Expo, ainda são insuficientes para trazer otimismo ao setor. É verdade que até o início de junho, essa feira vendera 80% dos espaços disponíveis para expositores. O evento é promovido pela Abdib – Associação de Infraestrutura – e pela Reed Exhibitions Alcântara Machado, de 30 de junho a 2 de julho na capital paulista. Mas o que resultará dele – concretamente – para reverter o quadro de saques perpetrados contra a natureza? Enquanto isso, a Cetesb não consegue coibir atitudes como a da Construtora São José que destelhou e derrubou paredes de seu imóvel no Jaguaré. Com as chuvas, espalhou-se material tóxico pelo solo, contaminou-se o lençol freático e eventual multa levará tanto tempo a ser cobrada, que estará prescrita antes de reverter para os cofres do Erário.