Get Adobe Flash player
Crônicas José Renato Nalini MENTES DESCARTÁVEIS

Academicos atuais

Aguarde...

Acadêmicos anteriores

Aguarde...

Online

Nós temos 7 visitantes online

MENTES DESCARTÁVEIS

Noticiou-se recentemente que a Administração Gilberto Kassab se vale do concurso de quase quarenta coronéis da Polícia Militar, em funções estratégicas na gestão do município. O aproveitamento de profissionais em pleno gozo de suas faculdades, com experiência acumulada no desempenho de missão relevante, qual a da segurança preventiva, é providência salutar. O Brasil necessita de profissionais competentes, de eficiência adquirida no trabalho singular de uma corporação em que hierarquia e disciplina são levadas a sério.

A estratégia paulistana deveria surtir réplicas em outros municípios, tão carentes de quadros habituados à ordem. O desmazelo na gerência da coisa pública não é raro e uma das causas é a rotatividade das administrações, com substituição da experiência pela nomeação alicerçada em compromissos políticos. Se a Polícia Militar impede que seus coronéis continuem em atividade depois de cinco anos de comando, é conveniente permitir que o seu traquejo venha a servir em outros postos.

O mesmo deveria acontecer com os desembargadores compulsoriamente desligados da jurisdição. Aos 70 anos, magistrados com treino diuturno em interpretar o direito são abruptamente retirados de sua atividade. Pobre Brasil que dispensa a sabedoria e em nome da oportunidade aos jovens, condena à inação intelectuais nos quais investiu maciçamente. Feliz do administrador que pudesse ter ao seu lado uma dessas vocações abortadas por uma legislação ultrapassada e perdulária. Antieconômica, sim, pois com a longevidade hoje obtida, o Erário continuará a remunerar por mais de 20 anos o aposentado e o substituirá por alguém que também terá direito a vencimentos. Até por economia a lei da compulsoriedade aos 70 anos precisaria ser revista.

Não se conte com isso, porém. A juventude tem pressa de chegar aos últimos cargos da carreira. Não deixa desaparecer a “expulsória”. Enquanto isso, que pelo menos os administradores lúcidos se valham desse patrimônio intelectual hoje desprezado. Recrutem os magistrados condenados a essa inatividade forçada e constatem o privilégio que é contar com essa genialidade treinada no ofício de julgar. O País não pode se dar ao luxo de descartar mentes afiadas e especializadas em concretizar o justo.
Banner