Noticiou-se recentemente que a
Administração Gilberto Kassab se vale do
concurso de
quase quarenta coronéis da Polícia Militar, em
funções estratégicas na gestão do
município. O
aproveitamento de
profissionais em
pleno gozo de
suas faculdades, com
experiência acumulada no
desempenho de
missão relevante,
qual a
da segurança preventiva,
é providência salutar. O
Brasil necessita de
profissionais competentes, de
eficiência adquirida no
trabalho singular de
uma corporação em
que hierarquia e
disciplina são levadas a
sério.
A
estratégia paulistana deveria surtir réplicas em
outros municípios,
tão carentes de
quadros habituados à ordem. O
desmazelo na gerência da coisa pública não é raro e
uma das causas é a
rotatividade das administrações, com
substituição da experiência pela nomeação alicerçada em
compromissos políticos. Se a
Polícia Militar impede
que seus coronéis continuem em
atividade depois de
cinco anos de
comando,
é conveniente permitir que o
seu traquejo venha a
servir em
outros postos.
O
mesmo deveria acontecer com
os desembargadores compulsoriamente desligados da jurisdição.
Aos 70
anos,
magistrados com
treino diuturno em
interpretar o
direito são abruptamente retirados de
sua atividade.
Pobre Brasil que dispensa a
sabedoria e em
nome da oportunidade aos jovens,
condena à inação intelectuais nos
quais investiu maciçamente.
Feliz do
administrador que pudesse ter ao seu lado uma dessas vocações abortadas por uma legislação ultrapassada e
perdulária.
Antieconômica,
sim,
pois com a
longevidade hoje obtida, o
Erário continuará a
remunerar por mais de 20
anos o
aposentado e o
substituirá por alguém que também terá direito a
vencimentos.
Até por economia a lei
da compulsoriedade aos 70
anos precisaria ser revista.
Não se conte com isso, porém. A juventude tem pressa de chegar aos últimos cargos da carreira. Não deixa desaparecer a “expulsória”. Enquanto isso, que pelo menos os administradores lúcidos se valham desse patrimônio intelectual hoje desprezado. Recrutem os magistrados condenados a essa inatividade forçada e constatem o privilégio que é contar com essa genialidade treinada no ofício de julgar. O País não pode se dar ao luxo de descartar mentes afiadas e especializadas em concretizar o justo.