Na madrugada de 11 de
julho de 1969
partia Guilherme de
Andrade Almeida para o
etéreo.
Foi velado nesta Casa e
está sepultado no
Mausoléu do
soldado Constitucionalista, no
Ibirapuera.
Sobre o
poeta de
“Nós” (1917), “A
Dança das Horas” (1919),
“Raça” (1925) e
“Rosamor” (1965),
além de
inúmeros outros livros de
poesia,
muito já se
escreveu e
ainda se
escreverá. O
campineiro nascido em 1980
formou-se em
Direito em 1912 e
exerceu a
advocacia. O
que não o
impediu de
exercer o
jornalismo como crítico e
cronista social.
Há 50
anos, no
concurso promovido em 1959
pelo Correio da Manhã, do Rio de Janeiro,
foi proclamado “Príncipe dos
Poetas Brasileiros”,
título que hoje ostenta com
orgulho legítimo o
poeta Paulo
Bomfim,
decano da Academia
Paulista de
Letras.
Paulista apaixonado,
todos os anos recitava a
oração “Última Trincheira”,
junto ao túmulo dos
patriotas de 1932.
Compôs a
Canção do
Expedicionário e,
versado em
heráldica,
elaborou e
desenhou os brasões de
várias cidades brasileiras, inclusive São Paulo e
Brasília.
Participou da Semana de
Arte Moderna em 1922 e,
por paradoxal ironia,
nela chegou a
ser vaiado. Alfredo Gomes, em
“Evocação de
Guilherme”, o
chama de
múltiplo, sublime,
perene. Ernesto
Leme definiu sua trajetória poética:
“Parnasiano a
princípio,
reverenciastes também a
escola simbolista.
Fostes,
sobretudo, um dos
elementos mais destacados da Semana de
Arte Moderna e
adotastes,
desde então,
uma nova
técnica, a
que ninguém consegue imitar.
Nem Bilac,
nem Raymundo,
nem Alberto,
nem Vicente de
Carvalho,
apresentaram em
suas obras uma tão intensa variedade de
ritmos como apresentais.
Vossa Musa
tem cada dia um
figurino original”.
Quem conviveu com Guilherme de Almeida poderá descrevê-lo melhor. Eu tive o privilégio de conhecê-lo já próximo à partida, conviva que era da Fazenda Campo Verde, um oásis intelectual mantido por Dulce e Victor Simonsen. Ali, Baby e Guilherme passavam fins de semana e cultivavam a amizade, como pessoas sensíveis que eram. Foi ali que pude ouvir o verso de “Rosamor” em que anunciava a proximidade da falange: “E há para o voo aceso numa aurora pressentimentos de asa nos meus ombros, quando a Moça da Foice me namora. Deixem-me descansar. Já fiz o que tinha de fazer.”