Ao menos uma mãe,
todos ainda têm.
Digo ainda porque,
na paranóia de
“brincar de Deus”, o
homem tenta produzir o
semelhante com
dispensa da participação natural dos
dois sexos. A
clonagem se
proporia a
replicar a
espécie em
laboratório,
desnecessária a
união sexual
entre mãe e
pai.
Enquanto esse mundo novo
não chega,
todos têm ao menos uma mãe.
Há os felizardos que têm mais de
uma. A
avó,
que ajudou a
criar. As
“mães postiças”,
que são aquelas que adotam afetivamente os amigos dos
filhos, as
crianças que admiram e
que continuam a
maternizar durante toda a
vida.
E
há,
infelizmente,
os que já não têm mãe.
Dentre os quais me
incluo.
Sem deixar de
reconhecer que à minha mãe eu devo o
que sou. Se
não sou melhor,
não foi por falta de
investimento materno.
Ela me
ensinou a
ler, me
ensinou a
pensar, me
ensinou a
viver.
Ao mesmo tempo em
que me
sinto privilegiado por poder contar com
essa mãe atenta –
por sinal,
não muito diferente de
outras mães de
minha geração –
lamento por aqueles órfãos de
mães vivas. As
mães que não se
preocupam com a
formação dos
filhos. As
mães que satisfazem todos os desejos,
como se a
vida inteira se
resumisse em
atender ao ego
insaciável. As
mães que se
recusam a
recriminar,
que se
dizem “amigas” dos
filhos,
quando estes precisam –
mesmo e
efetivamente – de
uma mãe.
O
pai é necessário.
Mas a
mãe é imprescindível.
Ela é a
educadora. No
momento em
que ela passou a
assumir outras funções,
ganhou o
mercado de
trabalho,
devotou-se à profissão,
não se
sentiu realizada com a
hercúlea missão doméstica, o
resultado foi uma geração perdida.
Gente sem limites,
sem freios,
sem parâ
metros.
Nada
substitui a
mãe. Se
existe um
ser insubstituível,
esse é o
que foi abençoado com o
dom maravilhoso de
coparticipar da obra divina da criação.
É mais fácil crer em Deus
quando se
tem mãe. A titular do amor
incondicional, a
amiga verdadeira, o
único ser disposto a
oferecer sua vida em
benefício da cria.
Neste dia reservado especialmente às mães, os que têm a ventura de poder abraçá-las não economizem carinhos. Os outros, tenham suas mães no pensamento. O coração delas, estejam onde estiverem, também está ancorado na lembrança dos filhos.