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Crônicas José Renato Nalini POLÍCIA A CAVALO

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POLÍCIA A CAVALO

A Serra do Japi merece cuidados especiais. É um patrimônio da humanidade. Ninguém a construiu, mas muitos sabem – e queremdestruí-la. Se a porção sensível de jundiaienses não se arregimentar, continuará a invasão de loteamentos, os desmatamentos, os incêndios “por acaso”, mas que servem aos objetivos da ganância e do imediatismo.

Se é verdade que a Serra do Japi está em vários municípios e Jundiaí não é o único interessado em sua preservação, não é menos certo que é a maior das cidades privilegiadas. Bem por isso, é obrigação jundiaiense exercer uma espécie de liderança no zelo da Serra. Isso implica em obter junto ao governo do Estado maior efetivo da polícia ambiental. A Polícia Militar está muito bem preparada e saberá auxiliar os preservacionistas, para que as futuras gerações também tenham do que se orgulhar. Mas também não está o município proibido de prover a sua Guarda Municipal de um corpo especialíssimo para a Serra.

Sei que existe algo e que os guardas são interessados e atendem, na medida de suas possibilidades, a defesa dos interesses ecológicos. Mas é preciso mais. Por que não formar um corpo especial de guardas-cavaleiros, que caminhem pela Serra a cavalo?

Quem conhece o Canadá não se esquece de sua Real Polícia Montada, assim como quem visitou Viena sabe o que significa a Real Escola Hispânica de Montaria. A criação desse grupo montado atenderá a muitos objetivos. Poderá percorrer o interior da nossa “muralha verde” sem afetar em demasia o ambiente. O cavalo alcança as picadas que os jipes não conseguem adentrar. Além disso, estar-se-á a incentivar o trato eqüestre que é um dos mais antigos e mais nobres da história da Civilização.

Quem cuida de cavalo fica mais sensível para cuidar do seu semelhante. Os animais são fiéis, não mentem, não são maledicentes, não têm inveja. São naturalmente bons. Será útil para a sensibilização da Guarda e também servirá à causa preservacionista. O Canadá realiza todos os anos a sua maratona musical, com performance dos cavaleiros garbosos, cada qual com seu cavalo. Por que não tentar fazer algo semelhante em Jundiaí, mediante a conciliação de uma coisa urgente com o turismo cada vez mais imprescindível nestes tempos de crise?
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