A
necessidade de
fazer um
pouco de
exercício me
leva a
permanecer numa esteira durante trinta minutos.
É o
período em
que assisto na TV a
programas que talvez não pudesse acompanhar em
outros horários. Com
isso,
vejo com
freqüência a
desenvoltura de Oprah Winfrey,
uma das comunicadoras mais prestigiadas dos
Estados Unidos, em
sua aparição diária.
Por ser inteligente e
estar num nível privilegiado,
pode desenvolver um
outro tipo de
comunicação.
O
entretenimento mais direto e
singelo é substituído por algo que surte efeito e
auxilia uma comunidade difusa de
telespectadores. O
nome deste artigo é uma experiência destas. Oprah
contacta uma administradora econômica doméstica para opinar sobre questões concretas de
algumas famílias.
Todos temos sonhos,
ambições,
aspirações.
É assim que a
vida funciona e
nisso encontramos força para prosseguir, a
despeito das vicissitudes.
Mas é preciso indagar se
os nossos sonhos cabem dentro de
nossas reais possibilidades.
“Você pode arcar?”
é a
pergunta que se
faz no
programa. O
primeiro caso era o de um
pai que queria propiciar às duas filhas o
acesso à Universidade. Nos
Estados Unidos isso é muito caro.
Chegaria a 160 mil
dólares por filha.
Na modesta economia de
quem ganha 4 mil
dólares por mês e
gasta 3,8 deles,
como arcar com o
dispêndio?
O
pai queria um
empréstimo.
Mas a
economista provou que ele – com
mais de 50
anos –
teria de
passar mais de 30
anos só para pagar o
estudo de
uma das filhas.
Indagadas a
respeito do
sacrifício,
mãe e
filhas desistiram do
projeto de
empréstimo. Para
decepção do
pai.
Mas foi acertado. E a
economista ainda argumentou que nem sempre estudar nas Universidades mais caras garante êxito na vida.
Deu o
seu próprio exemplo de
que o
importante é ser feliz e
fazer o
que gosta.
Outro exemplo era o de
uma jovem que pretendia oferecer uma festa de
casamento para 200
pessoas e
seu noivo preferia um
churrasco no quintal. Para o
primeiro plano,
seria necessário o
dispêndio de 50 mil
dólares. Para o
segundo, 5 mil
dólares.
A
partir da economia dos
noivos, a
economista provou que era
inviável a
festa. A
moça já devia 16 mil
dólares no
cartão.
Mais 28 mil
dólares de
crédito educativo.
Lá nos
Estados Unidos,
não há perdão para quem se
utiliza do similar de
ProUni como aqui.
Inviável uma festa para quem está a
dever. Como
é totalmente desarrazoado continuar a
gastar quando se
está sem emprego.
Falta juízo a
muito adulto que não se
precavê,
não está preparado para as
intempéries das quais ninguém está liberado. Um
programa assim faz bastante gente pensar se
não está na mesma situação.
Uma terceira situação era a do casal que depois de 12 anos de casamento, percebeu que já não existia amor. Com três filhos, uma delas portadora da síndrome de Down, e muitos quilos depois, a mulher descobriu que não tinha tempo nem para si mesma, menos ainda para o marido. Administrar os filhos tomava todo o seu tempo e sua mente.
Separaram-se de fato. Ele passou a dormir no escritório e ela permaneceu no quarto da família. E para separar, não havia dinheiro. Ele ficou desempregado. A entrada mensal que era equivalente a 6 mil dólares, passou a 1,5 mil dólares, porque ela vendia cosméticos. Levaram o seu problema à Oprah que o submeteu à economista. Aparentemente insolúvel o dilema de ambos. Permaneciam juntos porque inviável a cada qual manter-se isoladamente com a evidente insuficiência de recursos financeiros. O que fazer?
A solução provisória a que chegaram foi a opção pela venda da casa, liquidação da hipoteca e, com o produto, aluguel de dois apartamentos menores. Não gostei dessa alternativa e penso que não dará certo. Mas o importante foi trazer a questão a debate. Vale a pena permanecer juntos, a habitar a mesma casa, se já não se vive um casamento?
O que é pior para as crianças: os pais fisicamente juntos, mas não se suportando, ou separados e tentando reconstruir sua vida? Não há solução fácil, nem ideal. Mas são problemas concretos que devem ser enfrentados a partir dessa constatação de que a vida impõe desafios. Uma sociedade inspirada no consumismo não sabe viver sem dinheiro. Não existem planos alternativos para quem necessita de recursos para fazer face às suas necessidades. Muita gente precisa se auto-indagar se haverá condições de arcar com os projetos ou se está arriscada a mergulhar na inadimplência, tantas vezes sintoma de irresponsabilidade ou, mesmo, de falta de caráter.