Jundiaí perde o
bispo DOM GIL ANTONIO
MOREIRA. Em
compensação,
JUIZ DE
FORA ganha o
Arcebispo DOM GIL ANTONIO
MOREIRA.
É a lei
da compensação,
presente e
inevitável no
convívio humano. No
lustro em
que esteve a
pastorear a
Igreja Particular de
Jundiaí, DOM GIL se
mostrou um
sacerdote cioso de
seu compromisso com a
verdade.
Muitos não entendem que a
Igreja Católica Apostólica Romana tem compromisso com Cristo,
não com o
Ibope.
Quando indagam – O
que a
Igreja ganha a
manter suas posições retrógradas? – a
resposta só pode ser uma: a
Igreja quer ganhar almas
para Cristo.
Aquele que disse não ter vindo para agradar,
mas para resgatar a
criatura contaminada pelo pecado.
Sem arrogância,
mas com
afabilidade,
na simpatia mineira que é prudente e
discreta,
nosso bispo conquistou um
espaço de
respeito,
admiração e
afeto.
Interessou-se pelos excluídos,
sem descuidar dos
privilegiados aos olhos do
mundo.
Investiu nas vocações e
conheceu cada um dos
novos operários da messe.
Não se
preocupou com a
repercussão de
atitudes que deveriam ser a
regra,
mas podem ser consideradas insólitas.
Procedeu a
rodízio nas paróquias.
Sacudiu as
estruturas que muitos pretendiam permanecessem estratificadas. E agora,
ele mesmo parte.
Lição de
quem assimila a
realidade peregrina.
Ninguém é habitante permanente desta terra. O
lugar do
ser humano é a
pátria celeste. Para
isso ele foi criado. Se as
pessoas tivessem noção real e
consciência plena
dessa realidade inafastável,
não lamentariam as
separações nem se
desesperariam ante a
morte.
Somos frágeis e
imperfeitos,
contudo.
Por isso sofremos com as
partidas.
Mas a
vida é feita de altos e
baixos, dos
pólos opostos que já instigavam os pré-socráticos. O
que seria da alegria,
não fora a
tristeza? E
da saúde,
não fora a
enfermidade? E
da alvorada,
não fosse o
crepúsculo? O
encontro com a
falta do
oxigênio da amizade é o
que permite valorar – de
maneira a
mais adequada – a
maravilha da atmosfera do
convívio.
DOM GIL ANTONIO MOREIRA coleciona alguns signos pioneiros nesta sua passagem por Jundiaí. É o primeiro bispo que nos deixa por promoção do Santo Padre. É o primeiro que sai com vigor e desafiadora missão. A continuar o seu pastoreio, agora com redobrada expectativa. Deixa uma diocese abençoada. Que teve início santificado, pois ninguém pode duvidar da santidade de DOM GABRIEL PAULINO BUENO COUTO. E que prosseguiu privilegiada com a passagem do inefável DOM ROBERTO PINARELLO DE ALMEIDA e com o dinamismo do comunicador DOM AMAURY CASTANHO.
O retorno às alterosas permitirá a continuidade intensificada de uma atividade paralela, mas convergente com o cultivo das almas. O cultivo da história, da beleza, da cultura. Pois DOM GIL é um erudito. Faz jus a integrar qualquer silogeu de intelectuais. Tanto que integrava o Condephaat – Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Artístico, Arqueológico e Turístico do Estado de São Paulo.
Não consegui concretizar meu humilde projeto de torná-lo membro do Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo, em virtude de vicissitudes internas da instituição bandeirante. Mas já o recomendei para a Academia Mineira de Letras, onde outros sacerdotes já têm assento e onde seu talento será reconhecido. JUNDIAÍ se despede de DOM GIL ANTONIO MOREIRA contristada, mas jubilosa.
O misto de orgulho e lágrimas é mais comum do que possa parecer e está presente em inúmeras passagens existenciais. Qual o pai que não chora de alegria quando seu filho nasce? E quando sua filha se casa? Ou quando uma separação transitória torna fisicamente distante uma pessoa amada?
O planeta é cada dia menor e as viagens são rotina. Ainda nos veremos muitas vezes. Ele sabe que aqui deixou amigos de verdade. Aqueles que, muito além da afeição humana, partilham da mesma inabalável crença. Não é a proximidade dos corpos a garantia única da afeição. Esta é gratuita e desconhece distâncias. Aos muitos preitos que DOM GIL recebe, permito-me adicionar a humilde e eterna gratidão do filho reconhecido que foi confortado pela presença caridosa e cristã de seu bispo, no dia mais triste de sua já longa vida. O dia em que o pastor aquiesceu a pessoalmente encomendar o corpo querido, amado, que tanta falta fez, faz e fará, da melhor mãe do mundo..