Existem armas e
armas.
Trinta e
oitos,
trezentos e
oitenta,
nove milímetros,
facas e
peixeiras de
todos os tamanhos,
picaretas e
até furadores de
gelo,
como o
que foi usado para matar Trotski.
O arsenal
humano é ilimitado. De
pedra de
estilingue a
tiro com
bala de
urânio, vale
tudo na longa história de
mortes e
medos que caminha par e
passo com a
evolução de
nossa espécie.
Tanto faz a forma, o
importante,
até mais do
que matar é causar medo,
apavorar o
outro para que ele não pense em nos
atacar,
quando quem está apavorado somos nós,
perdidos neste vale de
lágrimas,
onde milhares de
pessoas morrem assassinadas,
todos os anos.
Entre
milhares de
armas de todas as origens e formas
que existem ou são criadas com a única finalidade de
causar medo poucas são tão eficientes quanto a palavra.
E sabendo a palavra certa e o momento de pronunciá-la, a capacidade de
apavorar cresce geometricamente, fazendo
até gente armada sair correndo, com
medo das conseqüências.
Entre as mais diversas expressões, desde palavrões pesados, ditos com ódio, até ameaças do gênero “sabe com quem está falando”, existe um universo de termos, frase e palavras a disposição do ser humano.
E dentro delas, poucas causam tanto medo quanto um simples bom dia. O velho e bom “bom dia” de todas as manhãs, dito faça chuva ou sol.
Experimente. Caminhando pela rua, ou num parque, diga bom dia para as pessoas com quem você cruzar. A reação vai ser nove entre dez vezes, o silêncio. O silêncio absoluto e a cara de assustado, fruto do pânico e do espanto, mas, acima do tudo, do medo.