Não sei que espécie de
histeria coletiva toma conta da cidade na época do natal,
mas a
verdade é que nestes dias São Paulo
para.
Não vai pra frente,
pra trás,
pra cima ou para o
lado.
Simplesmente não vai.
Você fica parado dentro de
seu carro sem qualquer explicação plausível por um tempo
enorme. E
depois,
como se
você não tivesse nada com
isso,
começa a
andar de novo,
como se um
mágico fantástico abrisse o
caminho do
arco-íris para felicidade dos
povos.
Evidentemente que há razões muito fortes
para isso acontecer.
Ou melhor,
há razões que explicam razoavelmente as
causas do
fenômeno,
mas nada
que o
justifique,
exceto a
histeria coletiva.
Milhares e
milhares de
carros saem às ruas feito loucos,
todos em
busca dos
sonhos perdidos. Nada
faz sentido,
mas na névoa implacável que tolda a
visão dos
habitantes da metrópole, a
falta de
sentido é um
pequeno detalhe que ao chamar a
atenção, o
faz muito tarde,
quando a
fuga já se
tornou impossível e
ficar parado é a
única solução.
Tanto
faz seu santo de adoração. Nenhum tem o poder divino de fazer alguns
milhares de
carros sumirem
ao mesmo tempo, em nome
da sanidade mental dos
habitantes parados nas
ruas.
Da mesma forma, não há mágica que dê jeito nos shoppings centers. Tem mais gente do que cabe, nem sempre pra alegria dos lojistas, já que uma boa parte só foi passear.
Enfim, natal é época de doação, de paciência, de boa vontade com os homens de boa vontade.
O resto não vem ao caso. E a sua paciência daqui a pouco será recompensada. Afinal, depois do natal vem as férias de verão, quando a cidade fica mais vazia e mais humana. Gostosa da gente ficar.