Este ano o natal
está uma festa.
Eu sei que todos os anos o natal
é uma festa,
mas este ano São Paulo
caprichou mais.
Tanto que andar de
carro pela Paulista é impossível. O
trânsito que normalmente anda mal
este ano está pior.
Tudo por causa das decorações e
comemorações de natal
que três bancos decidiram fazer em
prédios seus na região.
Quem ganha é a boa
vontade do
próximo que precisa muita boa
vontade para ficar parado no
trânsito,
dentro de um
carro,
esperando um
tempão para poder ver as
atrações.
Mas vale a
pena. No
meio do
tumulto que são as
ruas em
volta,
mais confusas e
lotadas do
que nunca, a
vida descobre um
significado novo
para a
palavra solidariedade.
Um
significado que estava perdido ou pelo menos escondido no
mais fundo do
peito de
cada um,
como se
décadas de
violência crescente houvessem soterrado o
lado bom das pessoas.
Este natal
mudou tudo.
Ou está mudando,
ou é o
sinal de
que nós vamos mudar e
para melhor. O dado
bom é este: a
mudança é para o
bem,
para o
lado da luz,
da compreensão e do
entendimento,
ainda que limitados a
uns poucos dias perdidos no
mês de
dezembro.
Depois vêm as
férias e as
mudanças tenderão a se
consolidar, no
ar mais tranqüilo da cidade mais vazia.
Na boa
vontade das pessoas bebendo um
chope gelado nos
finais de
tarde.
No
fundo é como se
uma espécie de
histeria saudável tomasse conta da cidade.
Uma febre ou epidemia.
Mas que com a
doença,
trouxesse também a
cura,
matando com
seu germes o
ruim e o
feio que nos
últimos anos têm sido a
marca registrada da metrópole.