Marta Goes
acabe de
publicar Alfredo
Mesquita - Um
grã-fino na contramão. O
livro seria uma biografia se
não fosse
mais.
Mas ele é mais.
É a
história da profissionalização do
teatro paulista,
ou de
suas primeiras três décadas,
contada com um
olhar impregnado de amor.
Pela história e
pelo personagem principal, Alfredo
Mesquita,
pai desta aventura e um dos
principais homens da cultura do
Brasil do
século 20.
Filho mais moço de
Júlio Mesquita o
fundador da dinastia que há mais de
cem anos controla o
jornal O
Estado de S. Paulo, Alfredo
Mesquita por nunca haver participado da vida do
jornal,
acabou ficando a
margem, um
pouco apagado pela figura do
irmão Julio de
Mesquita Filho.
Mas se
não é o
pai da USP,
nem manteve um dos
mais importantes jornais do
país, Alfredo
Mesquita, de
outro lado,
é o
responsável direto pelo desenvolvimento e
pela própria existência do
teatro paulista como ele é hoje.
Não fosse
sua Escola de
Arte Dramática, a
atual EAD da USP,
não fosse Alfredo
quem foi, o
desenvolvimento do
teatro no
Brasil teria se dado de
outra forma,
provavelmente pior e com
certeza mais lenta.
Marta Goes
vai fundo na narrativa desta história,
trazendo o
depoimento e a
vivência de
seus personagens mais importantes para contar a
história de
que forma
parte.
E
ela vai fundo no
carinho, no
respeito e
na admiração com
que trata seu personagem,
dando-lhe uma dimensão humana espantosa, inclusive
ao analisar seus pontos fracos e
suas derrapadas.
Alfredo
Mesquita, Um
Grã-fino na contramão é um
livro importante pelo estudo de um
tema importante,
mas é mais importante ainda por trazer de
volta à vida um
homem complexo e
maravilhoso.