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Crônicas Antonio Penteado Mendonça SER ASSALTADO É FÁCIL

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SER ASSALTADO É FÁCIL

Como você ainda não foi assaltado hoje? Mesmo fazendo força, parando nas esquinas certas, nas avenidas manjadas e nas praças da vez? Tentou a agência do banco, no supermercado? Nem assim adiantou?

Não faz mal. Não é caso de desesperar. Você pode ser assaltado religiosamente duas vezes por dia, com a mesma certeza de que os gansos voam para o sul, com variação de horário e tudo.

O serviço é muito sofisticado, limpo e profissional. Vem disfarçado de prato de comida, para não dar a idéia de violência, pelo menos até você pedir a conta, tudo como se fosse um restaurante e não uma quadrilha disposta a te limpar, em nome de uns pratos fartos, mas com a sofisticação de uma cozinha beneditina.

É recomendável marcar hora e reservar mesa. Fica mais garantido você preencher suas necessidades e carências se você usar o serviço de agendamento de assalto, que pode ser no almoço ou no jantar, com a variação de praxe para mais ou para menos, dentro dos horários regulamentares dos restaurantes de São Paulo.

O endereço dos assaltantes é muito conveniente. Como eu falei, em outra crônica, fica na rua Dr. Renato Paes de Barros, no Itaim Bibi. E localizá-lo também é fácil. É um restaurante pequeno e charmoso o que deixa mais fácil encontrá-lo.

A grande vantagem deles sobre os outros tipos de assalto praticados na cidade é que a violência só explode no final, na hora da conta, quando você está de barriga cheia e sem vontade de reagir. Aí a facada vem sólida, sem que o freguês esteja preparado para argumentar contra o despautério da conta. O resultado é batata, nove em dez casos, as vítimas pagam sem discutir.
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