A
palavra túnel em São Paulo
tem um peso
tremendo.
Ainda que com a
Revolução de 1932
meio esquecida,
ou deliberadamente apagada da história, a
luta no
“Túnel” teve uma importância enorme no moral
da tropa e
representou um dos
momentos heróicos do
movimento.
Zona de
serra íngreme,
durante um
inverno úmido, com
os paulistas enfrentando tropas muito superiores em
pessoal,
armamento e
tralha de
guerra,
os combates naquela região da Mantiqueira até hoje são exemplo de
abnegação,
coragem e
noção de
pátria para milhares de
pessoas.
É por isso que eu entro no
tema pedindo desculpas aos que têm o
túnel como um
ícone,
como um
momento único numa guerra destinada a
ser perdida nos
campos de
batalha,
para se
transformar em
vitória nas arenas
políticas, com
todos os preços pagos,
ainda que alguns custando muito caro.
A verdade é que entre o túnel reverenciado e os túneis construídos pela antiga administração petista a distância é enorme.
Cada vez que entro num deles sinto vergonha de ser paulistano. Os dois são uma ofensa a inteligência mais medíocre, ou por outro viés, a apologia da imbecilidade, para não pensar coisa pior.
Cada vez que saio de um deles e paro no semáforo vermelho plantado exatamente na saída, me pergunto qual o sentido de gastar milhões de reais para construir dois absurdos desta ordem, sem pé nem cabeça, exceto ser notícia de jornal. E das ruins. Sem nada de positivo, nem de grandioso, para a administração da época ou para a cidade.
Exceto pela bela e criativa idéia de juntar o inútil ao agradável e transformar um deles num piscinão, estes túneis são justos monumentos a inutilidade, ou a capacidade de gastar mal o dinheiro do povo.