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Crônicas Antonio Penteado Mendonça UM ABSURDO CHAMADO TÚNEL

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UM ABSURDO CHAMADO TÚNEL

A palavra túnel em São Paulo tem um peso tremendo. Ainda que com a Revolução de 1932 meio esquecida, ou deliberadamente apagada da história, a luta no “Túnel” teve uma importância enorme no moral da tropa e representou um dos momentos heróicos do movimento.

Zona de serra íngreme, durante um inverno úmido, com os paulistas enfrentando tropas muito superiores em pessoal, armamento e tralha de guerra, os combates naquela região da Mantiqueira até hoje são exemplo de abnegação, coragem e noção de pátria para milhares de pessoas.

É por isso que eu entro no tema pedindo desculpas aos que têm o túnel como um ícone, como um momento único numa guerra destinada a ser perdida nos campos de batalha, para se transformar em vitória nas arenas políticas, com todos os preços pagos, ainda que alguns custando muito caro.

A verdade é que entre o túnel reverenciado e os túneis construídos pela antiga administração petista a distância é enorme.

Cada vez que entro num deles sinto vergonha de ser paulistano. Os dois são uma ofensa a inteligência mais medíocre, ou por outro viés, a apologia da imbecilidade, para não pensar coisa pior.

Cada vez que saio de um deles e paro no semáforo vermelho plantado exatamente na saída, me pergunto qual o sentido de gastar milhões de reais para construir dois absurdos desta ordem, sem pé nem cabeça, exceto ser notícia de jornal. E das ruins. Sem nada de positivo, nem de grandioso, para a administração da época ou para a cidade.

Exceto pela bela e criativa idéia de juntar o inútil ao agradável e transformar um deles num piscinão, estes túneis são justos monumentos a inutilidade, ou a capacidade de gastar mal o dinheiro do povo.

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