Viajar de
avião no
Brasil nos
últimos tempos
transformou-se em
possibilidade de
tortura.
Os aeroportos transformados em
centros comerciais precisam de
público e no
rastro de um
provável acordo secreto feito entre os lojistas e as
autoridades encarregadas dos
vôos em
território nacional,
foi decidido um
enorme esquema de
atrasos para deixar os passageiros o
máximo de tempo
vendo as
vitrines e
entrando nas lojas.
Mas a
tortura segue
além. Se
materializa na danação que é ficar dentro de
uma aeronave parada no
pátio,
esperando para decolar, com o
ar condicionado desligado,
num calor infernal,
por várias e
várias horas.
Cresce nos pedidos de desculpas da tripulação
que também gostaria de estar voando porque não tem ao menos
uma água mineral
para os passageiros purgando seus pecados.
Toma forma nos atrasos avisados já quase no que seria o final do vôo, porque o aeroporto está carregado demais, ou está chovendo, ou ninguém sabe por que, mas vai atrasar do mesmo jeito.
E para quem acha que o pior já passou, alguns pais reservam uma surpresa extra, com seus filhos pequenos que urram dentro dos aviões. Não porque estejam sofrendo, mas porque são mal educados mesmo e, na sua inocência de primeira idade, e na falta de discernimento dos pais, acham que podem porque podem levar os outros à loucura, berrando a bordo com a tranqüilidade com que infernizam a própria família, como se estivessem na sala de visitas da casa do avô.
Criancinhas são uma benção de Deus. Mas, entre, pequenos, serem uma benção e o direito de alguém levar os outros ao desespero vai um espaço enorme. Espaço que deveria ser preenchido com multas ou outros castigos piores para os pais dos monstrinhos.