É raro o
dia que eu não passo por ela. De
manhã ou de
tarde,
é quase certo eu ser figurinha carimbada,
dirigindo em
seu entorno,
na ida ou na volta. E
é raro o
dia que não diminuo a
velocidade,
baixo a
temperatura e
aproveito para esquecer um
pouco do stress,
olhando uma das vistas
mais bonitas de São Paulo.
A
Praça do
Por do Sol
é um
lugar único. Como o
nome diz,
feito,
ainda que sem querer,
para se
ver o
por do
sol na cidade. No
começo era
pouco conhecida, e
os namorados mais bem informados sobre os segredos da região tinham,
além do
lugar deslumbrante e
quase vazio, um
instante de
paz,
vendo o
fim do
dia de
mãos dadas.
Depois a
praça ficou conhecida.
Serviu de
palco para shows
populares que disseminaram os assaltos pelo bairro e a
transformaram em
ponto de
encontro de
todas as
gentes, com
venda de
drogas,
assaltos, hot dog
completo,
guinchos de
seguradoras,
policiais,
garis e
funcionários da prefeitura se
misturando com
centenas de
pessoas que vão diariamente até lá.
Mas nem
por isso
eu me canso
da Praça do
Por do Sol. Posso sentir pena, vendo-a descaracterizada, mal cuidada e suja. Mas continuo amando o
lugar e achando a praça
uma das quebradas
mais belas de toda a
cidade.
Tanto faz se não é a praça de 35 anos atrás. Tanto faz se a cidade também mudou e para pior. Tanto faz todos os tantos fazes, o importante é que a Praça do Por do Sol continua, nas tardes de sol, atraindo seu público que vai lá esquecer da vida, pelo menos na chegada da noite, vendo o último movimento da sinfonia do sol mudar a cor da terra. E durante o dia, seu verde denso e múltiplo, também vale a pena.