Acabo de
receber de
presente de Hector
Babenco um
livro impressionante:
Carandiru –
Registro Geral.
Feito em
cima das filmagens de
Carandiru, o
livro resgata a
lembrança e o horror do
maior presídio da América do
Sul.
Implodido após sua desativação em
conseqüência do massacre
resultante de
uma rebelião de
presos, o
presídio virou filme de
sucesso. E o
filme agora
vira livro,
levando para dentro de casa as
imagens e as
lembranças brutais de
como o inferno
pode se
parecer.
Hector
Babenco é um dos
maiores diretores do cinema
brasileiro e
atualmente seu nome e a
competência de
seus filmes vão muito além das fronteiras nacionais ou argentinas,
onde ele nasceu.
Sensível,
delicado na forma de
tratar cada imagem, o
diretor tem a
capacidade de
transformar seus filmes em
obras fortes,
que chegam a
ser devastadoras no
impacto que causam no
público.
Dono de um
estilo marcante cada filme de Hector
Babenco é um
descobrimento,
ou como diria Manuel
Bandeira, um
alumbramento.
O
livro Carandiru –
Registro Geral segue
os traços do
autor.
Impacta,
marca e
expõe com
crueza a
perplexidade do
ser humano diante do
destino,
ao mesmo tempo
que o
resgata,
mostrando como ele consegue ultrapassar este destino para sobreviver sem perder a
dignidade.
Com todo seu horror, dentro do presídio era possível se ter dignidade. Não sucumbir ao inferno, ao terrível, a falta de opção.
Cada foto do livro mostra isso. Mostra como os cenários foram feitos e como a história do presídio foi preservada, ou perpetuada, dentro de um projeto de resgate de memória que tem por base os mesmos sonhos e aspirações que desde a Ilíada movem o ser humano: sua luta para não perder a noção de quem é.