Os flamboyants
sabem que não têm chance
na briga pelo primeiro lugar entre as
floradas paulistanas.
Não que eles não tenham flores, cores
ou beleza,
mas faltam árvores da espécie para competir com as
azaléias e as
quaresmeiras.
De
verdade não fazem frente nem mesmo as
paineiras que atualmente são poucas,
mas ocupam mais espaço do
que eles.
Os flamboyants
são pragmáticos e
realistas.
Eles sabem que seu esforço é valorizado,
mas que está longe de
ter visibilidade pela cidade inteira.
Estão em
poucos cantos, de
poucos bairros, a
maioria nas zonas sul e
oeste. Para o
resto da cidade,
passam desapercebidos,
quando não são completamente desconhecidos,
ainda que encantando as
pessoas que não têm idéia que árvore é aquela que floresce tão vermelha,
criando um
contraste tão rico com o
verde das próprias folhas.
Mas quem acha que os flamobyants não sabem o que fazem, cuidado! Eles são terríveis, com sua ascendência franco-pacífica que se manifesta em atitudes que beiram o ciúme, e ultrapassam a inveja.
Eles adorariam ser páreo para os ipês e deixar para trás os jacarandás mimosos. Como não podem, jogam na guerrilha, para enlouquecer as outras plantas com quem disputam espaço nos chãos da cidade.
O resultado são floradas histéricas, o que faz com que algumas quaresmeiras menos experientes percam o rumo e floresçam muito antes da hora.
E como não são só elas, quem ganha é São Paulo que junto com o riso solto dos flamboyants acaba levando outras flores de graça, num contraste rico, que enfeita o cinza sujo da cidade.