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Crônicas Antonio Penteado Mendonça UMA NOVA FORMA DE ASSALTO

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UMA NOVA FORMA DE ASSALTO

Viver em São Paulo é um ato de coragem, ou de loucura, depende do ponto de vista. Aqui a violência é rotina cotidiana. Está presente na cor cinza do ar, nos muros, nas casas, no asfalto esburacado.

Faz parte da sandice do trânsito, do achaque dos flanelinhas, dos donos das vagas nas ruas movimentadas, dos cambistas nos estádios de futebol.

Em São Paulo os opostos se atraem e criam novas ondas de choque. A última moda é sentir a terra tremer em terremotos que balançam o Chile.

Mas o ponto alto são os assaltos. Eles são mais que parte da vida. São cartões postais de determinadas esquinas. Paradigma da polícia. E inferno vivo de quem mora na cidade.

Poucos habitantes podem dizer que são exceção à regra e que nunca foram assaltados. Os assaltos se multiplicam. Os assaltantes são criativos e as autoridades altamente colaborativas.

Você é assaltado nas esquinas com semáforos, nas ruas congestionadas, nas estradas.

É assaltado dentro de casa. Nos escritórios, na saída dos bancos.

Se tiver sorte, seu celular ser levado, seu dinheiro ser levado, seu automóvel ser levado. Se não tiver, pode sentir a vida escoando, num tiro por menos que 30 dinheiros.

E também pode passar pela situação absurda de pagar 20 reais por uma dose de uísque 8 anos e 125 reais por cinco couverts. E uma conta indecente por um jantar gostoso, a base de massas, mas com a criatividade de um refeitório beneditino. É ir num pequeno restaurante na rua Dr. Renato Paes de Barros para ser vítima de outro tipo de assalto.
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