Viver em São Paulo
é um
ato de
coragem,
ou de
loucura,
depende do
ponto de vista.
Aqui a
violência é rotina cotidiana.
Está presente na cor cinza do
ar, nos
muros,
nas casas, no
asfalto esburacado.
Faz parte da sandice do
trânsito, do
achaque dos
flanelinhas, dos
donos das vagas nas ruas movimentadas, dos
cambistas nos
estádios de
futebol.
Em São Paulo
os opostos se
atraem e
criam novas
ondas de
choque. A
última moda é sentir a terra
tremer em
terremotos que balançam o Chile.
Mas o
ponto alto
são os assaltos.
Eles são mais que parte da vida. São
cartões postais de
determinadas esquinas.
Paradigma da polícia. E inferno vivo de
quem mora na cidade.
Poucos habitantes podem dizer que são exceção à regra e
que nunca foram assaltados.
Os assaltos se
multiplicam.
Os assaltantes são criativos e as
autoridades altamente colaborativas.
Você é assaltado nas esquinas com
semáforos,
nas ruas congestionadas,
nas estradas.
É assaltado dentro de casa. Nos
escritórios,
na saída dos
bancos.
Se
tiver sorte,
vê seu celular ser levado,
seu dinheiro ser levado,
seu automóvel ser levado. Se
não tiver,
pode sentir a
vida escoando,
num tiro por menos que 30
dinheiros.
E
também pode passar pela situação absurda de
pagar 20
reais por uma dose de
uísque 8
anos e 125
reais por cinco couverts. E
uma conta indecente por um
jantar gostoso, a base de
massas,
mas com a
criatividade de um
refeitório beneditino.
É só ir num pequeno restaurante na rua Dr.
Renato Paes de
Barros para ser vítima de
outro tipo de
assalto.