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Crônicas Antonio Penteado Mendonça DOIS LADOS DA MESMA CHUVA

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DOIS LADOS DA MESMA CHUVA

As chuvas de verão estão chegando. As primeiras tempestades caíram e não deixam dúvida que, como acontece todos os anos, este ano São Paulo, mais uma vez, vai inundar. A aleatoriedade é uma questão de onde, no resto, é risco certo.

Bueiros entupidos somados a impermeabilização crescente do solo não pode ter um final diferente. Vai inundar porque não tem como a água escoar. Não tem cano, nem caminho.

Com as chuvas de verão a coisa vai ficar preta pra muita gente. Uma parte está acostumada e sabe que não tem muito pra ser feito, exceto rezar para o estrago não ser grande, ou a enchente começar 200 metros pra frente.

Mas tem gente que sentirá o gosto do estrago pela primeira vez. E para estes é mais doído. A gente sempre acha que acontece com os outros, até o dia que acontece conosco.

O duro é que nestas desgraças o rombo sempre aumenta, alavancado pela morte de uma ou mais pessoas, levadas pela correnteza, ou soterradas dentro de um imóvel em área de desmoronamento.

De outro lado, as chuvas de verão são a razão de ser de milhares de velas acesas por milhares de pessoas envolvidas no negócio de gerar energia para o país não parar.

Se não chover muito, mas muito mesmo, a crise do gás se agrava pela falta de água para mover as turbinas das hidroelétricas, bem no momento da seca.

Tem que chover, tem que chover, tem que chover. A questão é como fazer a chuva cair no lugar certo, em cima das represas e não em cima das cidades. O resto é sonho e muita esperança.

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