E a
vida segue
seu curso. Para
ela tudo é apenas o
que é dentro da rotina cósmica que desde o
princípio faz o
universo girar em
torno de
milhares de
sóis e
os cometas cumprirem seus ciclos,
atraídos pelo perigo dos
buracos negros escondidos dos
telescópios.
Cada dia é um novo
momento.
Uma série de novas
vidas,
seguidas ou entremeadas, de
outras mortes.
Manhã,
tarde e
noite se
sucedem, no canto dos
sabiás alucinados varando as
madrugadas porque está chegando o final de
sua época de
cruza.
Estrelas passam,
nuvens passam, e
os capítulos das novelas também passam,
levando cada um de
nós para mais perto do
momento maior, do
instante em
que a
vida imita arte e as
pessoas sofrem a
dor dos
personagens, nos
meios de
noite cada vez mais solitários.
E a natureza
também passa. Marca presença nas folhas
que caem e nas novas flores de
outras árvores
que até ontem não eram
mais que galhos secos tentando recobrar o verde, perdido no inverno.
Agora uma nova florada se impõe. E é belo vê-la chegar e se abrir para tomar os cantos da cidade, saindo de trás das praças, das calçadas mal cuidadas e de alguns jardins antigos.
Os flamboyants sabem que têm pela frente, nas próximas semanas, o seu grande momento. A chance de se vingarem da poesia dos ipês, e das floradas das azaléias, das quaresmeiras e dos jacarandás mimosos.
Para não falar nas paineiras e até nas tipuanas que do alto de sua sisudez, por alguns dias, enfeitam a vida com um amarelo intenso que desafia o mundo como se elas fossem deuses e as outras árvores os gigantes que eles atiravam no inferno. Agora é a vez dos flamboyants.
Bem vindos e que com eles chegue o verão.