Quando eu era
menino, as
peruas escolares eram dirigidas por pessoas simpáticas,
que conheciam cada aluno pelo nome e
sabiam quem eram seus pais,
que também sabiam quem eram os motoristas a
quem entregavam seus filhos,
cinco dias por semana,
duas vezes por dia,
na ida e
na volta da escola.
Quase todas as
peruas eram Kombis.
Não havia alternativa.
Os pães de forma
imperavam absolutos, com o
Escolar escrito em
destaque nas laterais pintadas de
amarelo.
Eram pessoas afáveis, com
muita paciência,
que dirigiam lentamente,
sabendo que transportavam verdadeiros tesouros -
os alunos que lhes eram entregues na mais absoluta confiança,
por anos a
fio.
Com o
crescimento das cidades e
das escolas,
cresceu também o
número de
alunos e
por tabela o de
veículos escolares.
Não mais apenas as antigas
Kombis. Carros de todos
os tipos e tamanhos, com o “escolar” em
destaque circulam pelas ruas e estradas de
cidades de todos
os tipos e tamanhos levando milhares de
alunos, diariamente de casa para a
escola e vice-versa.
Eu sei que a maioria dos motoristas tem a antiga índole dos motoristas de quando eu era criança e sabem que transportam tesouros mais frágeis que porcelana chinesa, e que por isso dirigem com todo o cuidado.
Mas de outro lado, o crescimento nacional trouxe para o negócio gente que pouco se importa. Gente que dirige de forma imprudente, para dizer o mínimo, quando o mínimo é respeitar pelo menos as regras de trânsito. A quantidade de peruas escolares que passam semáforos vermelhos basta para contar melhor o que eu estou tentando dizer.