Em
princípio, um
pão não é uma arma.
Por isso não é comum lermos nas manchetes dos
jornais:
“armado com
uma baguete,
ladrão assaltou casal dentro do
parque”,
ou “
ladrão aponta bisnaguinha para senhora e
rouba seus anéis”. Um
pão não é um 38,
nem uma 380. Um
pão é um
pão, serve
para ser comido, com
uma boa
média,
ou chocolate
quente,
só com
manteiga,
ou com
queijo e
geléia, no
café da manhã.
Sem pão não se
faz x-salada,
nem cachorro quente.
Não tem sanduíches,
ou torradas.
Sem pão o
povo começa revoluções.
Que o
diga Maria
Antonieta que perdeu a
cabeça porque sugeriu que os franceses comessem brioche. E
os imperadores romanos que acalmavam a plebe
dando-lhes pão e
circo.
Com
pão as
manhãs frias de
inverno ficam menos doídas,
menos agressivas. E o
seu cheiro típico,
saindo da chaminé de
uma padaria,
num domingo de
manhã tem o
dom de
fazer a
vida mais bonita e as
pessoas mais felizes.
Mas em nenhuma destas situações o pão parece, é ou foi uma arma. Pelo contrário. O máximo que ele fez foi servir de pretexto para o povo pegar em armas e derrubar um regime despótico.
Então por que esta preocupação com uma arma chamada pão? A resposta é simples: “pode ser que um pão sozinho não seja uma arma, afinal, ele tem noção de tamanho, mas em bando, centenas de pães juntos, avançando dentro de caixas transportadas por um caminhãozinho dirigido por um louco, de fábrica de pães, eles podem ser terríveis; mais letais que um caminhão de tijolos, ou um caminhão de lixo clandestino”. Tudo vai do motorista da máquina de guerra cheia de pães entrar ou não, sem se importar com você, na rua em que você está. Passe pela experiência e descubra: um bando de pães pode matar a gente.