As
tipuanas também têm sua florada.
Não sei se
porque são árvores absolutamente comuns,
ou se
porque são grandes e
velhas, as
tipuanas de São Paulo
chamam mais atenção pelo tamanho e
pelo risco de
caírem nas chuvas de
verão do
que pela florada.
Confesso que não tinha caído a
ficha de
que elas ficam floridas nesta época do
ano. E
que mais que isto,
que sua florada é bonita, com as
flores densamente amarelas contrastando com o
verde intenso de
suas folhas novas,
nascidas com a
chegada da primavera.
As
tipuanas são árvores dramáticas.
Imensas para os parâmetros urbanos,
são belas e
são um
risco. Com
seu tronco sólido e
grosso e com
seus galhos desesperados erguidos para o
ar elas são muito bonitas,
mas do
outro lado,
são uma ameaça constante,
pelas raízes carcomidas e
podres não garantindo a
segurança da parte de
cima.
Vê-las floridas na Cidade Universitária foi um
espanto gostoso.
Depois,
reparar nelas,
floridas no
resto da cidade,
foi mais gostoso ainda,
porque o
espanto deu lugar a
curiosidade e a
satisfação de
vê-las nas ruas dos
jardins, do
Pacaembu e do Alto de
Pinheiros,
fazendo sua parte no
grande conserto anual das flores enfeitando a
cidade.
Contraponto aos jacarandás,
suas flores se misturam com a copa densa e isso as faz ter um contraste
mais denso
que o céu nem sempre bonito de São Paulo e
que serve de fundo
para o roxo de
seus rivais.
Verde e amarelo, as duas cores em tons fortes, a festa das tipuanas tem muito de nacionalista. Quem sabe fosse até o caso de algum deputado fazer um projeto de lei criando o dia da tipuana, “a árvore 100% brasileira”: Verde amarela, impressionante nos altos galhos e na roupa de festa, mas com as raízes podres mal e mal agüentando a carga.
12 10 2007