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Crônicas Antonio Penteado Mendonça O JACARANDÁ E A TIPUANA

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O JACARANDÁ E A TIPUANA

Os jacarandás estão todos prosas, com sua florada aberta e colorindo de roxo uma parte da cidade. São árvores que quando crescem ficam imponentes, por isso desde pequenos, alguns deles, estufam o peito, fingindo um tamanho que terão daqui algumas centenas de anos, se nós deixarmos a cidade sobreviver.

Pouca gente sabe, mas a árvore símbolo de São Paulo é um jacarandá. O jacarandá rosa que quase não existe mais e que tomava o interior do estado até poucas décadas atrás.

Os jacarandás urbanos são pacientes. Qualidade de quem sabe que vai viver muito, mas que pode ser uma ilusão quando se está plantado numa cidade com as características de São Paulo. Eles esperam os ipês acabarem sua briga particular para então se mostrarem em sua riqueza, sem dar tempo aos outros para tentar tapar seu sol com alguma peneira.

Só que de vez em quando são pegos na curva, e quando menos esperam, em vez de brilharem sozinhos, acham outra árvore disposta a lhes fazer sombra.

O duro é que apesar da indignação, não há muito que possam fazer. `Presas por suas raízes, não têm como atingir a desafiante. A sorte deles é que normalmente é só uma quaresmeira ensandecida, ou um ipê atrasado.

Mas às vezes, o susto é maior, como acontece agora na Diógenes Ribeiro de Lima, bem no começo da Praça do Por do Sol. De um lado da rua está o jacarandá florido, e do outro uma tipuana o desafia.

Quem ganha é a cidade, embelezada de forma mágica pela briga entre o roxo forte e o amarelo denso, cada um querendo ser mais belo para mostrar o que faz um jacarandá e quem é uma tipunana. Ah se todas as brigas fossem como essa!


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