Os jacarandás estão todos prosas, com
sua florada aberta e
colorindo de
roxo uma parte da cidade. São
árvores que quando crescem ficam imponentes,
por isso desde pequenos,
alguns deles,
estufam o
peito,
fingindo um
tamanho que só terão daqui algumas centenas de
anos, se
nós deixarmos a
cidade sobreviver.
Pouca gente sabe,
mas a
árvore símbolo de São Paulo
é um
jacarandá. O
jacarandá rosa que quase não existe mais e
que tomava o interior do
estado até poucas décadas atrás.
Os jacarandás urbanos são pacientes.
Qualidade de
quem sabe que vai viver muito,
mas que pode ser uma ilusão quando se
está plantado numa cidade com as
características de São Paulo.
Eles esperam os ipês acabarem sua briga particular
para só então se
mostrarem em
sua riqueza,
sem dar tempo
aos outros para tentar tapar seu sol com
alguma peneira.
Só que de vez em quando são pegos na curva, e quando menos esperam, em vez de brilharem sozinhos, acham outra árvore disposta a lhes fazer sombra.
O duro é que apesar da indignação, não há muito que possam fazer. `Presas por suas raízes, não têm como atingir a desafiante. A sorte deles é que normalmente é só uma quaresmeira ensandecida, ou um ipê atrasado.
Mas às vezes, o susto é maior, como acontece agora na Diógenes Ribeiro de Lima, bem no começo da Praça do Por do Sol. De um lado da rua está o jacarandá florido, e do outro uma tipuana o desafia.
Quem ganha é a cidade, embelezada de forma mágica pela briga entre o roxo forte e o amarelo denso, cada um querendo ser mais belo para mostrar o que faz um jacarandá e quem é uma tipunana. Ah se todas as brigas fossem como essa!