Quando eu era
criança,
ela se
chamava Estrada
da Boiada.
Acho que pouca gente se
lembra disso,
mas esse era o
nome da Diógenes Ribeiro de Lima,
que corta o
fundo do Alto de
Pinheiros,
meio avenida,
meio rua, com
muito mais movimento do
que ela deveria suportar.
Rua que já foi simpática,
arborizada, com
cara de
bairro planejado pela Companhia City, a
Diógenes Ribeiro de Lima
tem casas maravilhosas ao longo de
sua longa extensão.
Casas construídas para serem moradias,
num padrão bem alto,
hoje,
ou são escritório,
ou se
deterioram,
atingidas de
morte pelo progresso insano que empurra São Paulo
sempre mais pra frente,
sempre mais pra frente,
até Deus
sabe onde,
ou muito para lá das divisas do
município.
O
nome antigo era
muito mais bonito. Estrada
da Boiada tem uma carga poética que o
nome atual não tem como competir.
Não há ponto de
comparação entre Estrada
da Boiada e
Diógenes Ribeiro de Lima,
que,
além de
tudo,
pouca gente sabe quem foi.
Estrada
da Boiada remete o
pensamento para o tempo
que ela servia era o
caminho pelo qual o
gado entrava na cidade em
direção ap matadouro municipal.
Lembra outra São Paulo,
perdida no tempo,
ainda que passado recente,
quando as
boiadas entravam na cidade caminhando e
cortavam suas periferias,
tocados a
laço e
berrante,
já em
pleno século 20.
Estrada
da Boiada é tão simpático quanto Rua da Quitanda,
ou Rua da Boa Vista
ou Ponte
da Cidade Jardim. E
é um
marco urbano.
Que com o
próprio nome já explica o
que é.
É por isso que mudar os nomes das ruas é um
absurdo.
Primeiro, o
nome novo
é sempre mais feio e,
segundo,
quebra a
ordem do
progresso da cidade.