Finalmente a
população tomou as
rédeas nas mãos e agora
faz o
que quer,
como quer e
quando quer,
pelo menos no
tópico "
respeito aos semáforos".
Anos e
anos de
insistência, de
forçada de
barra, de
falta de
sincronização,
para não dizer de
competência,
fizerem parte importante dos
motoristas paulistanos chegar à conclusão de
que a
verdadeira razão de
ser dos
semáforos não é controlar o
fluxo dos
veículos pela cidade,
mas apenas mudarem de
cor para distrair o
motorista parado no
meio da rua,
impedindo os outros de
seguir de um
lado para o
outro.
É verdade que apesar do
mérito principal
ser indiscutivelmente da direção da CET,
ele não é inteiramente dela,
ou pelo menos da que está lá hoje, inclusive
porque a
ação foi uma ação coletiva,
que se
estendeu ao longo do tempo,
independentemente do
viés ideológico de
quem estivesse no
poder e
da tendência política do
momento.
Os semáforos tiveram um
momento glória,
quando a
coreografia de
suas cores
dava o
ritmo das ruas,
abrindo em
seqüência,
numa fila continua e
verde ao longo da cidade.
Depois,
ganharam inteligência e
este pode ter sido o
início do drama.
Inteligentes,
os semáforos começaram a
perceber que podiam ser mais competentes que seus reguladores, e
aí lentamente,
passo a
passo,
sem dar bandeira,
foram assumindo o
controle das ruas.
Finalmente,
numa ajuda
sem preço, as autoridades municipais deixaram de repassar dinheiro
para a
CET fazer
ao menos a manutenção de
seus equipamentos e o resultado
foi os semáforos inteligentes fora de
controle, cada um fazendo
como quer,
numa enorme anarquia. Vendo isso
os motoristas aderiram
à moda e agora a única realidade
é o caos.