CANTO DE AMOR À ACADEMIA
Paulo Bomfim
Minha Academia que se faz tão linda,
Toda debruçada sobre seu passado,
Chácara do Arouche, chá que se transforma
Num ritual antigo, suave convivência.
Ronda de lembranças envolvendo a benção
Dos cabelos brancos recordando safas,
Canto que se encanta na canção do tempo,
Minha Academia tão Paulista e linda!
Passam gerações e vão chegando os outros,
Conduzindo a senha de seus livros-sonhos,
Nas cadeiras-barcos vamos navegando
Entre as ilhas verdes das sessões de outrora.
Chegam peregrinos, partem navegantes,
Mas o fogo que arde na paixão das tochas
Vai de livro em livro iluminando rumos,
Ramos de saudade, ronda de lembranças
Perfumando estantes, percorrendo as salas;
Minha Academia de cabelos brancos
Toda debruçada sobre seu passado,
Numes tutelares que nos acompanham
Numa convivência que transpõe fronteiras,
Entre o agora e o sempre desses universos
Paralelos feitos de uma eterna idade,
Minha Academia de quarenta histórias,
De quarenta cantos de Piratininga,
Nas sessões futuras, quando eu for ausência,
Guarda-me no encanto deste chão do Arouche